1. Home
  2. Posts
  3. Planeta Foz

Oscar Alliana, um hermano brasileiro

Oscar Alliana, um hermano brasileiro
Alegria - Essa integração é muito boa e é muito bom viver nessa fronteira - Foto: Marcos Labanca

Douglas Furiatti
Fotos: Marcos Labanca

Ele nasceu em Puerto Iguazú em 1936, quando a cidade ainda se chamava Puerto Aguirre, mas mora em Foz do Iguaçu desde 1962. Nos seus 79 anos de vida, alternou residência entre as duas cidades e até hoje mantém laços afetivos e profissionais em ambos os lados da Ponte Tancredo Neves. Esse homem é Oscar Alliana, casado com Ilza Ramheier e pai de André, Enrique e Eduardo.

O argentino se considera brasileiro, afinal são mais de cinco décadas na “Terra das Cataratas”, onde criou a família, acumulou histórias e reside até hoje. E de fato é, após sua naturalização. Seu elo com Foz do Iguaçu começou em 1937, pouco tempo depois de nascer, quando sua família veio morar aqui, permanecendo até 1945. Nesse ano voltaram para a cidade vizinha, onde seu pai era encarregado de coordenar equipes que realizavam a construção da estrutura no parque nacional argentino.

Alliana viveu dos 8 aos 25 anos na terra natal, onde estudou e foi muito atuante na sociedade. Ele foi secretário de um clube de esportes, secretário da liga esportiva, secretário do clube de tênis, presidente da associação de estudantes e secretário particular do primeiro prefeito de Puerto Iguazú. Também atuou como correspondente de jornais de Misiones e de Buenos Aires.

O retorno a Foz
Em 1962 decidiu retornar para Foz do Iguaçu e montar uma pequena fábrica de soda (água com gás), que não existia no Brasil. Procurou um representante de uma grande cervejaria, que cedeu o depósito da empresa para ele produzir. O empreendedor comprou um Ford 1938, com o qual saía distribuir o produto. Depois de um certo tempo, perdeu o espaço que lhe havia sido cedido. Mudou para outro local e tocou os negócios até por volta dos anos 80.

Paralelamente à produção de soda, o hermano montou, em 1968, uma revista de turismo chamada Cataratas, pois na época não havia nenhum meio de comunicação impresso na cidade, apenas uma rádio. Também criou um pequeno pasquim denominado Mini-Informativo, o qual ele distribuía na porta do cinema local. “Tinha muitas pessoas que iam exclusivamente pra pegar, porque fazia comentários críticos, tinha anedotas, um conteúdo que não havia na época”, lembrou. Um ano depois, Oscar Alliana se tornou correspondente local da Folha de Londrina, o primeiro jornal de fora a circular na cidade.

A Casa dos Argentinos
Em 1988 fundou a Casa dos Argentinos, uma espécie de representação do seu país de origem em Foz do Iguaçu. A ideia era reforçar o elo entre os povos, trocar experiências e informações e auxiliar seus conterrâneos que viviam ou visitavam a cidade. A proposta surgiu um ano antes, quando ele percebeu que a Argentina não estava representada na antiga Fenartec.

“O objetivo era beneficiar em alguma coisa os argentinos que eu estaria representando no estrangeiro. Eu comecei a entrar em contato com as autoridades, me apresentava e falava da Casa dos Argentinos. Assim tive o reconhecimento delas. Em contato com as autoridades das três fronteiras, eu conseguia muitas coisas”, contou.

A entidade funcionou até 2010 e também colaborou na divulgação do país na região fronteiriça, na orientação e coordenação de encontros entre autoridades dos dois países durante visita dos compatriotas a Foz, entre outras atividades. Tudo está devidamente registrado num “livro ata” de aproximadamente 300 páginas que Alliana guarda com muito carinho.

Integração Brasil-Argentina
Os laços dele ainda são fortes com Puerto Iguazú, um destino quase diário no qual tem familiares e amigos e onde atua como contato comercial do jornal A Gazeta do Iguaçu. Para esse argentino-brasileiro, a construção da Ponte Tancredo Neves foi fundamental à integração entre Brasil e Argentina, principalmente para consolidar a relação de sua cidade natal com a terra em que se fixou há 53 anos.

“Eu e minha esposa frequentamos o comércio de lá. Trazemos muitos produtos, como eu também recomendo às pessoas de lá comprarem aqui. Trago vinho, que tomo todos os dias pela manhã e à noite. Minha esposa traz produtos de limpeza e farinha. Então, essa integração é muito boa e é muito bom viver nessa fronteira”, salientou.
 

_______________________________________________________
ESPECIAL PONTE TANCREDO NEVES - 30 ANOS

Quinta-feira, 26/11/2015

Olhares sobre os 30 anos da Ponte Tancredo Neves

Integração dos povos, exclusão dos pobres

Brasil e Argentina: mais semelhanças que diferenças

Operários lembram histórias da construção da ponte

A história da ponte vista pelas páginas do Nosso Tempo

__________________________________
Sexta-feira, 27/11/2015


Bomba atômica, local, aduanas e desenvolvimento

Puerto Iguazú, uma vizinha sedutora

Ponte Tancredo Neves, 1985: problemas de ontem e de hoje

Sonhos, desejos e busca pela descoberta
__________________________________
Sábado, 28/11/2015


Brasil-Argentina: tudo nos une e nada nos separa

Uma ponte de transformação, por Ronildo Pimentel

O balanço sucessivo da Ponte Tancredo Neves

Oscar Alliana, um hermano brasileiro
__________________________________
Domingo, 29/11/2015


A travessia, o bondinho, o acidente e a enchente sob o olhar de Joel Petrovski

Fotos e curiosidades dos tempos da balsa e da construção