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O balanço sucessivo da Ponte Tancredo Neves

O balanço sucessivo da Ponte Tancredo Neves
Consagrado - Desenvolvido no Brasil e de uso consagrado em vários lugares do mundo... - Foto: DNIT/Foz

H2FOZ - Alexandre Palmar
Fotos: Marcos Labanca e DNIT

A Ponte Tancredo Neves é resultado dos esforços de brasileiros e argentinos em todas as etapas do empreendimento. Os dois países estiveram juntos na elaboração do projeto, escolha do local, mão de obra, financiamento. A construção começou em 13 de janeiro de 1983, com término em 29 de novembro de 1985. Ou seja, um tempo relativamente razoável de três anos.

A ponte, seus acessos e postos aduaneiros foram projetados por um consórcio de empresas consultoras brasileiras e argentinas, contratado pela "Comissão Mista Brasileiro Argentina da Ponte sobre o Rio Iguaçu", a COMIX. O consórcio foi formado pelas seguintes firmas: Etel Ltda (Curitiba), Figueiredo Ferraz (São Paulo) e Consórcio Consulbaires (Buenos Aires).

Coube ao consórcio formado pela Sobrenco (Brasil) e Supercemento (Argentina) erguer o empreendimento com as seguintes especificações técnicas: 480 metros de comprimento; 16,5 metros de largura; 85 metros de altura sobre o rio, além de 2.830 metros de acesso no lado argentino e 2.090 metros de acesso no lado brasileiro.

A obra é constituída por um pórtico de três tramos, cuja viga de seção variável está apoiada em dois encontros extremos e dois pilares centrais de 60 metros de altura. Os vãos laterais têm 130 metros e o vão central tem 220 metros; a largura total é de 16,5 metros, sendo 13,30 metros de pista, dois guarda-rodas de 40 cetímetros e dois passeios de 1,20 metro.


Vicente Veríssimo, superintendente do DNIT em Foz: ponte significou evolução - Foto: Marcos Labanca

Uma característica da obra foi ter adotado concreto de alta resistência numa construção do tipo “balanços sucessivos”. Servidor público na época da construção pelo DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem), o atual superintendente do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) em Foz, Vicente Veríssimo, traduz esse palavrão da engenheira:

“O pilar brasileiro era sobre o rio; o argentino, na margem do leito. Pelo processo construtivo, você tinha que levantar igualmente para quando chegasse à parte de cima o desenvolvimento fosse igual. Fazia um metro para cá, um metro lá. Tudo ao mesmo tempo. Tudo sincronizado, até chegar à junção dos dois lados, com o fechamento da pista”.

Segundo o site Infraestrutura Urbana, o método de construção de pontes e viadutos por balanços sucessivos, desenvolvido no Brasil e de uso consagrado em vários lugares do mundo, consiste na execução da estrutura em segmentos denominados aduelas, com comprimento variável de três metros a dez metros. A partir de um pilar de suporte, as peças avançam em balanços, uma a uma, até a totalidade da execução do vão, com o apoio de treliças metálicas. Saiba mais.


Caixão sobre a pista é usado para manutenção: dá para atravessar de um lado ao outro - Foto: DNIT/Foz

Veríssimo revela que a Ponte Tancredo Neves tem uma espécie de túnel na parte debaixo da pista usado para a manutenção de uma ponta a outra. A estrutura de concreto é oca, com cerca de dois metros de altura, o suficiente para operários andarem com tranquilidade. “A gente chama de caixão. Dá para atravessar por dentro de Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú”, conta o engenheiro.

Ele finaliza a conversa destacando a evolução "muito grande" para Brasil e Argentina, Paraná, Misiones, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, bem como toda a região trinacional. "Ela criou um caminho para o transporte internacional. Até então era tudo lá por Uruguaiana e Paso de los Libres. Todo o transporte de mercadorias de exportações e importações dos dois países era feito por lá. Com a construção da ponte, criou um novo caminho e ajudou a desenvolver a nossa região e o norte da Argentina". 

DADOS TÉCNICOS

Quantidade de materiais

Concreto: 18.537 m3
Armadura passiva: 2.897 toneladas
Armadura ativa: 656 toneladas

Custo da obra (em milhões de dólares)
Ponte: US$ 20,5 milhões
Acessos: US$6,2 milhões
Centro de fronteira argentina (aduana): US$ 3,3 milhões
Centro de fronteira brasileiro (aduana): US$ 3,6 milhões
Mobilização e desmobilização: US$ 2,7 milhões
Total: US$ 36,3 milhões (valores da época, sem correção).

Fonte: DNIT – 9ª unidade de Infraestrutura Terrestre
Foz do Iguaçu - PR
 

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