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Morre Cesar Cabral, cidadão honorário de Foz

Morre Cesar Cabral, cidadão honorário de Foz

O corpo do empresário Cesar Cabral foi cremado neste domingo, 7, em Curitiba. Industrial do setor de tabaco no Paraguai, ele faleceu aos 72 anos, por volta das 19 horas deste sábado, após enfrentar um câncer nos últimos três anos. As cinzas devem ser lançadas ao Marco das Três Fronteiras no começo de janeiro.

Nascido em 4 de abril de 1942, em Puerto Iguazu, Argentina, filho de exilados políticos paraguaios, Cesar Cabral recebeu, em 2010, o título de cidadão honorário de Foz do Iguaçu pela sua contribuição ao desenvolvimento do município, bem como trajetória política e social na fronteira. Veja abaixo sua trajetória descrita no projeto de lei que lhe concedeu a honraria.

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TRAJETÓRIA

Cesar Cabral foi engraxate e vendedor de jornal na juventude. Cursou a escola primária em Puerto Iguazu e a escola secundária em Eldorado. Ingressou na faculdade de Ciências Econômicas em Resistencias e La Plata, no Chaco Argentino. Não concluiu o curso, o que considerava uma de suas grandes lamentações.

Em 1958, César Cabral e sua família chegaram a Foz do Iguaçu. Jovem participativo, em 1958 César Cabral ingressou e tornou-se militante estudantil e político. Lutava contra o ensino particular e defendia o ensino público, universal e gratuito. Foi militante revolucionário.

Em 1962, por motivo de perseguição política, saiu da Argentina. Ficou durante 18 anos impedido de ingressar no país e 27 anos impedido de ingressar no Paraguai. Ao sair da Argentina, veio definitivamente para Foz do Iguaçu, onde estabeleceu os primeiros contatos com o Movimento Revolucionário Brasileiro, o Grupo 11, criado por Brizola, que originou o Partido Comunista Brasileiro.

Nesta oportunidade conheceu pessoas como Sadi Vidal, Cabral César, Fábio Campana e Aluízio Palmar, integrante do MR8 (Movimento Revolucionário oito de Outubro). Suas lutas chamaram a atenção do governo brasileiro e geraram frutos, entre eles, dois anos e seis meses de prisão. Foi preso no Rio de Janeiro e foi mantido na Ilha das Flores, Ilha das Cobras e Ilha Grande.

Em setembro de 1971 volta para Foz do Iguaçu com a obrigação de conseguir um emprego com carteira assinada em um prazo de 15 dias. Benefício este conquistado pela liberdade condicional. Caso não fosse empregado, voltaria para a prisão.

No dia primeiro de dezembro de 1974 foi sequestrado pelas Forças de Inteligência Militar Brasileira, acusado de, junto com outros paraguaios, atentar contra a vida do ditador Alfredo Stroessner, então presidente do Paraguai. Ficou sobre intensa vigilância até a abertura democrática do País, iniciada em 1979 no governo Figueiredo com a anistia e a volta dos exilados políticos para o País.

No período de 1971 a 79 foi obrigado a informar às autoridades militares Brasileiras qualquer deslocamento ou viagem, todas as vezes que deixava a cidade de Foz, incluindo destino, local de hospedagem, data e horário de retorno. Todos estes fatos na vida de César Cabral constam nos arquivos da Inteligência da Polícia Federal Brasileira.

Empresário - Sua carteira de trabalho foi assinada em 1971 na empresa Exportadora Paranaense de Produtos Alimentícios, onde começou como vendedor, passou pela gerência, foi sócio e finalmente proprietário da mesma. Este longo período na empresa sempre foi acompanhado do forte laço de amizade com o fundador da empresa o senhor Alejandro Stumpf Mendonza, também exilado político Paraguaio, ex-companheiro de cela.

Sempre teve como vocação o comércio internacional, então logo notou que vender “sopa paraguaia” não seria suficiente para sua capacidade comercial, pois o mundo crescia. Apesar de estar proibido e impedido de pisar em território Argentino e Paraguaio sempre atuou no comércio exterior. Trabalhou também para a Nestlé, a Philips Morris e a Souza Cruz S.A.

Paralelamente à atividade profissional, César Cabral sempre foi um homem influente na sociedade Iguaçuense e contribuiu muito para o desenvolvimento de Foz, atuando, prestando serviços à comunidade e se destacando como:

• Presidente da Casa Paraguaia – Centro Cultural e Social em Foz do Iguaçu

• Fundador e 1º Presidente do Rotary Clube M ?Boicy

• Diretor do Foz do Iguaçu Country Clube

• Diretor do Oeste Paraná Clube

• Fundador do Conselho Comunitário de Segurança de Foz do Iguaçu e 1º Secretário

• Provedor da Santa Casa Monsenhor Guilherme de 1988 a 1994

• Fundador do Programa Ancoradouro de recuperação de viciados em álcool e drogas, por onde passaram mais de mil pacientes.

• Fundador do Centro de Nutrição Infantil de Foz do Iguaçu

• Presidente da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, a ACIFI, nas gestões 90-92 e 94-96, onde viabilizou e coordenou o 1º Simpósio sobre as Necessidades de Foz do Iguaçu com a intervenção de 145 entidades representativas da comunidade Iguaçuense.