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UNILA rebate Época: “legitimação do desmonte do ensino público”

UNILA rebate Época: “legitimação do desmonte do ensino público”
Universidade possui 3.790 alunos matriculados - Foto: UNILA

Paulo Bogler - H2FOZ

A direção da UNILA (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) divulgou nota questionando o conteúdo da matéria sobre as universidades brasileiras, veiculada pela Revista Época desta semana. A capa da publicação traz foto da obra inacabada do campus da instituição sediada em Foz e um texto que a reduz ao espaço físico. “O fiasco da UNILA, a universidade que deveria integrar a América Latina, mas nunca ficou pronta”, decreta a reportagem.

Ao rebater a publicação semanal, os gestores da UNILA enfatizam que a matéria opera para legitimar o processo de “desmonte do ensino público, gratuito e de qualidade no Brasil”. A nota diz que apesar dos cortes de recursos, a universidade cumpre suas finalidades, promovendo a integração, o bilinguismo e a inserção social na América Latina e Caribe por meio da educação e da cultura.

Contra os argumentos da Revista Época, a UNILA apega-se a números. São 3.790 estudantes brasileiros e de 20 países, 518 técnicos e 368 professores. A universidade conta com 29 cursos de graduação e 11 pós, das quais 8 são mestrados e uma residência em saúde. Há na instituição 67 grupos de pesquisa inscritos no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e 160 ações de extensão em desenvolvimento.

Os gestores da UNILA chamam a atenção para os ataques reiterados ao projeto diferenciado representado pela instituição. “A permanente tentativa de estereotipar algumas universidades, dadas suas reais especificidades no campo da educação, somente deixa claro o grau de complexidade que envolve a defesa das universidades públicas na era da fragilização do direito público e social”, enfatiza a nota.


Aula pública preparatória para o ENEM, ação da universidade nas comunidades - foto UNILA 

Obras do campus

Fato explorado pela reportagem da Revista Veja, o campus da UNILA começou a ser construído em 2011 pelo Consórcio Mendes Júnior/Schahin, mas as obras foram paralisadas em 2014. Em julho, o TCU (Tribunal de Contas da União) publicou acórdão em que determina à Unila a análise, juntamente com a Itaipu Binacional, sobre a possibilidade de rompimento do contrato de doação do terreno onde a sede começou a ser edificado.

Mesmo sendo uma reivindicação recorrente e motivo de denúncias feitas pela comunidade acadêmica, a construção do campus nunca impediu a realização das atividades da UNILA. As aulas acontecem em salas no PTI (Parque Tecnológico Itaipu) e em sede onde já funcionou uma universidade particular. A instituição também ocupa outros espaços distribuídos pela cidade, em que são realizados os trabalhos administrativos.

“A obra inacabada reforça a disparidade entre a idealização da UNILA - reiterada pelos mega projetos protagonizados pelo capital financeiro no continente - e sua materialidade manifesta em um cotidiano repleto de humanismo, cores e diversidades que representam a integração dos povos”, conclui a nota da universidade.

Clique para ler a íntegra da resposta da UNILA