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Polêmica na Vila C: comerciante lança veneno durante oficina de Maracatu

Polêmica na Vila C: comerciante lança veneno durante oficina de Maracatu
- Reprodução vídeo

H2FOZ - Vacy Alvaro

Na manhã desta quinta-feira (9), durante uma oficina artística de Maracatu, os estudantes do Colégio Estadual Flávio Warken, da Vila C, foram surpreendidos por uma atitude no mínimo descabida. Munido de uma bomba de aplicar veneno, o comerciante Rosalvo Machado de Souza lançou o produto na praça onde as crianças, de 12 a 17 anos, realizam a atividade.

Um vídeo com o momento da ação foi divulgado nas redes sociais e rapidamente ganhou repercussão. Foi dessa maneira que Sandra Marli da Rocha Rodrigues, mãe de uma das estudantes ficou sabendo do fato. A pedagoga e mestranda da Unioeste recordou que “esse senhor já demonstrou outras vezes que não gosta dos ensaios das crianças. Mas hoje essa atitude foi de extrema violência, desrespeito, preconceito e covardia”, explicou.

Ela também lembrou dos riscos ambientais e da exposição dos adolescentes ao produto químico.  “Como camponesa e educadora estamos sempre lutando contra o uso de agrotóxicos na produção de alimentos, pois sabemos o quanto é prejudicial a saúde e ao ambiente. Essa ação covarde desse senhor demonstra o racismo, ódio, intolerância e preconceitos com a cultura afro-brasileira que o Maracatu representa”, apontou.



Rosalvo, que atua no comércio local desde a década de 1970, se defendeu da situação ao alegar que se trata de uma reivindicação antiga e não tem relação à atividade em si. “Não tenho nada contra o maracatu. A minha queixa é sobre o barulho e esse incômodo que ninguém resolve. Isso irrita a todos os comerciantes aqui do bairro. Há uns quarenta dias atrás a Fundação Cultural ou a Secretaria de Educação veio aqui, conversamos e deixamos claro que não queríamos essa perturbação”, disse.

Ele complementa que chegou a ser acertado de que a atividade fosse transferida para um local mais embaixo na própria praça. Entretanto, semanas depois o grupo teria retornado ao mesmo ponto. “Fizeram isso para me provocar?”, indaga. Quanto ao perigo, ele afirma que foi apenas dedetizar a grama “Está cheio de formigas. Não é como estão falando. Jamais passei a máquina perto deles”.

O Grupo Alvorada Nova completou quatro anos de atividades em julho. Nas escolas, o projeto já tem três anos. As oficinas são promovidas todas as terças e quintas-feiras no contraturno escolar para os estudantes do Ensino Fundamental. A oficina da tarde desta quinta foi cancelada e uma reunião com os pais está agendada para hoje a noite.