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Os dados de desemprego em Foz do Iguaçu e a nova gestão

Os dados de desemprego em Foz do Iguaçu e a nova gestão
- Foto: Antonio Costa/AEN

* Adnan El Sayed

 Os dados podem revelar muito e também podem esconder outros tantos aspectos. Vejamos, por exemplo, os dados de Foz do Iguaçu comparados aos de Londrina e Curitiba. Foz teve um saldo positivo de 272, enquanto Londrina teve um saldo negativo (-869) e Curitiba também negativo (-5517), de acordo com a tabela abaixo (CAGED – jan/set 2017). Se fossemos comparar com essas duas maiores cidades do Paraná estaríamos em muita vantagem no saldo contratação de empregos de janeiro até setembro de 2017.

Outro exemplo de viés na análise dos dados a ser levado em conta é o número total de admissões. Foz do Iguaçu tem o segundo índice no Oeste do Paraná, ficando atrás apenas de Cascavel, como podemos observar abaixo (CAGED – jan/set 2017). Isso significa que se pegarmos somente o saldo não conseguimos evidenciar algo intrínseco a nossa economia, a rotatividade dos empregos.



Há um terceiro aspecto fundamental, a informalidade. Estima-se que em Foz do Iguaçu a informalidade ultrapasse em muito os 50%, isso significa que todos esses empregados em trabalhos informais não são computados pelo Caged. Portanto temos um dado extremamente viesado que não nos permite uma ideia exata do nível de emprego na cidade.

Outra questão é a metodologia da comparação. Há de se comparar Foz do Iguaçu 2017 com a própria Foz do Iguaçu 2016, para saber se há evolução dos dados ou não. Essa seria a comparação estatística mais confiável para não cairmos em números que comparam cidades economicamente tão distintas em suas dinâmicas, tornando frágil tais dados como parâmetro comparativo. Pois bem, em 2016 como um todo Foz do Iguaçu teve um saldo de aproximadamente 530 empregos. Neste ano de 2017, os dados até setembro mostram 272 de saldo. Temos ainda três meses para computarmos os empregos e há de se atentar à previsão de mais de 300 contratações até o final do ano com a inauguração dos novos hotéis.

Por fim, todas essas considerações não são pra dizer que Foz do Iguaçu está em maravilhas no quesito emprego e renda, pois de fato não está. Devemos ter um plano de desenvolvimento econômico que possibilitará novos empreendimentos à cidade, ampliando as vagas de emprego. Essa é uma missão que devemos ter em nosso horizonte e nos debruçarmos agora para que no futuro próximo os dados do emprego sejam muito melhores dos que o atuais. A questão econômica deve ser levada em prioridade. Paralelamente deve-se trabalhar para ampliar a oferta de cursos de capacitação e qualificação profissional no intuito de ocupar aquelas vagas que permanecem desocupadas por falta de perfis adequados. Se isso é o que se deve fazer, quais ações concretas a atual gestão municipal tem realizado?

A Nova Gestão

As medidas de desenvolvimento econômico encontram ações concretas na nova administração da gestão pública municipal. Para exemplificar, citemos algumas referentes à atuação da Secretaria de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos:

a) Fomento do microcrédito aos Microempreendedores Individuais: o Banco do Empreendedor passou por uma reforma completa e ganhou um novo espaço físico, além de ter ampliado seu quadro de atendentes e aderido ao programa Juros Zero do Banco Fomento do Paraná;

b) Desburocratização na abertura de empresas: a Casa do Empreendedor conseguiu zerar uma fila gigantesca de espera que se tinha e agora também passará por uma readequação do espaço. Além disso, há um esforço em conjunto com entidades públicas e privadas através do Comitê Gestor de Desenvolvimento Municipal na busca de alternativas práticas para resolver problemas na burocracia. A implementação da Redesim e o início de um processo de aproximação das diversas instâncias públicas de fiscalização, alvará e licenças são outros exemplos do fruto destes esforços;

c) A readequação dos parâmetros e critérios para as atividades econômica em cada região da cidade: a revisão da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) foi realizada em uma força tarefa para que não se perca tempo e novos empreendimentos possam se instalar. O projeto já está para a apreciação e aprovação da Câmara Legislativa Municipal;

d) Novas parcerias para capacitação e qualificação: convênios com várias instituições de ensino e de capacitação técnica, como SENAC, SENAI e universidades para promover cursos presenciais gratuitos de orientação e qualificação profissional, a exemplo dos recentes cursos de “Recepcionista” e “Como se preparar para entrevista de emprego”. Além disso, a adesão a programas de cursos à distância do Governo Federal, em especial o Pronatec que possibilitou mais de 400 inscritos na cidade nos últimos 2 meses;

e) Reativação da Câmara Técnica de Desenvolvimento Econômico do CODEFOZ: no intuito de avaliar os gargalos de nossa econômica, sugerir ações e construir um plano de desenvolvimento econômico municipal em equipe técnica, com economistas da gestão pública, da academia e da iniciativa privada e com órgãos públicos e privados diretamente ligados ao tema;

f) Maior número de turistas: parcerias com o resto do mundo e uma projeção de marketing inteligente e eficiente já mostram resultados no aumento de visitas aos atrativos da cidade, o que indica maior circulação de dinheiro em nossa economia e uma expectativa econômica positiva.

Há um olhar positivo destes esforços conjuntos que gerará frutos sustentáveis. A atenção da nova gestão municipal está longe de ser negligente em relação à geração de emprego em nossa cidade e temos a perspectiva de desenvolvimento econômico, social e humano integrado. Conforme as medidas e políticas públicas vão se concretizando, maiores os resultados obtidos e maior a expectativa em atingirmos um ciclo virtuoso de desenvolvimento.

*Adnan El Sayed é economista e diretor de Desenvolvimento Socioeconômico e Integração Regional na Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu.


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