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Epidemia de leishmaniose em cães tem 746 casos confirmados neste ano em Foz

Epidemia de leishmaniose em cães tem 746 casos confirmados neste ano em Foz

H2FOZ - Alexandre Palmar
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CCZ alerta para medidas de combate à doença, que está atingindo humanos na cidade.


A epidemia de leishmaniose canina em Foz do Iguaçu alcança números preocupantes. Já são 746 casos diagnosticados pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de janeiro a primeira quinzena de outubro. Em 2016 foram 1.057 confirmados; em 2015 foram 800 registros.

Além de causar o sofrimento e a morte de cães, a doença atinge humanos. Em 2016 foram cinco casos humanos; destes dois morreram. Este ano três pessoas contraíram a moléstia. Ressalta-se que ela é uma comorbidade (as vítimas fatais tinham outras enfermidades associadas, agravadas pela leishmaniose).

Veterinário do CCZ, Carlos Santi alerta sobre o ambiente favorável para o surgimento de casos novos e permanência da doença no município. Um dos motivos para a epidemia está ligado à própria população, que não tem tomado as medidas certas para combater a leishmaniose.

“As pessoas acumulam nos terrenos muita matéria orgânica em decomposição, como folhas de árvores”, disse, durante o programa Foz em ação, transmitido pela Rádio Cultura. “Hoje estamos numa situação bastante crítica, epidêmica mesmo”, afirma o profissional.

É importante manter os terrenos limpos, sem lixos e entulhos, além de utilizar repelentes em humanos e coleiras anti-inseto em cães. Recomenda-se evitar áreas de concentração do mosquito principalmente ao entardecer e utilizar inseticidas específicos em áreas de concentração de mosquitos.

Total de cães infectados pode ser bem maior

O ideal seria fazer testes em todos os animais - Foto: Marcos Labanca

O total de 746 registros toma como base os exames feitos em laboratório. O número representa 2/3 dos cães levados ao CCZ para fazer o teste (e provenientes de clínicas particulares). Mas este é um universo de animais com sintomas sugestivos da doença.

Ou seja, a amostra é inadequada para precisar o índice dentro da população total de cães do município. O último censo, realizado por ocasião da campanha antirrábica de 2015, reveleou aproximadamente 59 mil cães, fora os de rua.

“Esse retrato é influenciado pela demanda e pela capacidade de realização dos exames do CCZ. O ideal seria fazer testes em todos os animais (ou ao menos dos sintomáticos), mas não temos capacidade técnica nem testes rápidos (fornecidos pelo Estado)”, diz Santi.

Coleira ajuda na prevenção

Foz tem cerca de 60 mil cães domésticos (fora os de rua) - Foto: Marcos Labanca

A leishmaniose é transmitida por insetos hematófagos (que se alimentam de sangue). Seus nomes variam de acordo com a localidade; os mais comuns são: mosquito palha, tatuquira, birigüi, cangalinha, asa branca, asa dura e palhinha. O mosquito palha ou asa branca é mais encontrado em lugares úmidos, escuros, onde existem muitas plantas.

“A coleira custa em torno de R$ 115. Na Argentina é um pouco mais barata. Se não colocar a coleira, é questão de tempo, infelizmente, para que o animal venha a ser infectado. Por quê? Porque a doença está na cidade inteira. Não está num ponto, bairro ou região. Quem tem cão, precisa colocar a coleira no animal”, completa o veterinário.

Tratamento contínuo
Existem dois tipos de medicamentos autorizados pelo governo federal para tratar leishmaniose em cães. Um deles está no mercado desde fevereiro deste ano. Em setembro outra marca foi liberada pelo Ministério da Agricultura.

“O tratamento é caro e deve perfurar por toda a vida (monitoramento do animal, através de retestes quadrimestrais e utilização do medicamento caso de positividade), pois o agente (Leishmania) não é eliminado do animal, ou seja, embora possa haver cura clínica, não há cura parasitológica”, esclarece.

Em caso de suspeita ou dúvidas, procure uma clinica veterinária ou Centro de Controle de Zoonoses, cujo telefone é (45) 3524-8848.