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Entidades pedem afastamento imediato do Dr. Brito

Entidades pedem afastamento imediato do Dr. Brito
Documento foi protocolado nesta sexta-feira, 26 - Foto: Marcos Labanca

H2FOZ - Paulo Bogler

A corrupção investigada pela Operação Pecúlio guarda algumas coincidências. Há um ano, entidades da sociedade civil pediam à Câmara Municipal a abertura de processo contra cinco vereadores, presos acusados de receber “mensalinho” do ex-prefeito Reni Pereira (PSB). Quase na mesma época, começavam as fraudes na saúde comandadas pelo vereador Dr. Brito, conforme apuram a Polícia Federal e a Procuradoria da República.

Nesta sexta-feira, 26, os representantes da ACIFI (Associação Comercial e Empresarial), OAB/Foz (Ordem dos Advogados do Brasil) e Observatório Social de Foz do Iguaçu retornaram ao Legislativo. Foi protocolado pedido de abertura de Comissão Processante para analisar as denúncias que recaem contra o vereador Dr. Brito, preso há dez dias. As instituições pedem que o vereador seja afastado imediatamente de sua função parlamentar.

A representação por quebra de decoro parlamentar baseia-se no regimento interno e na Resolução nº 123/2016 da casa legislativa. O documento menciona a imagem de defensor da ética e da moralidade adotada pelo Dr. Brito. “Sabe-se, agora, que tudo não passava de pano de fundo para a perpetuação dos ilícitos que já haviam sido objeto de denúncia, prisão e apuração por parte das autoridades”, diz o pedido. 


Afastamento do Dr. Brito está baseado no regimento e em resolução da Câmara - foto Marcos Labanca

O presidente da ACIFI, Leandro Costa, afirmou que o pedido de abertura da Comissão Processante visa a resguardar a moralidade e a dignidade da Câmara de Vereadores. “Essa Câmara já nos envergonhou muito no ano passado, quando pedimos a cassação de cinco vereadores. Novamente estamos aqui para pedir que essa Câmara aja em função da sociedade que ela representa”, disse.

Basta

O pedido de abertura de processo contra o Dr. Brito apresentado pela ACIFI, OAB e OSFI integra as iniciativas da ação Basta – Campanha pela Moralização da Política de Foz do Iguaçu. O movimento pede ética e moralidade no exercício das funções públicas. A mobilização contínua analisa e acompanha os atos praticados por integrantes do Poder Legislativo.

Conforme o presidente da OAB, Valter Cândido Domingos, a sociedade deve cobrar dos vereadores atitudes coerentes com as demandas da comunidade. “Somos apresentados na mídia nacional como sendo uma cidade em que a Câmara Municipal está impregnada de corrupção. Nossa sociedade está sendo mal representada no país. Temos que usar todos os meios para combater isso”, apontou.

Entenda

O vereador Dr. Brito foi preso em caráter preventivo pela Polícia Federal no dia 16 de janeiro, durante a oitava fase da Operação Pecúlio, com outras cinco pessoas. Três investigadas estão em liberdade. O assessor do parlamentar, José de Oliveira Reis Neto, conhecido como Cazuza, acusado de ser o “mentor intelectual” das fraudes, permanece preso.


Dr. Brito está preso há dez dias em Foz - foto Divulgação 

A partir de informações prestadas pelo colaborador Reginaldo Sobrinho, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal passaram a acompanhar os contatos realizados por Dr. Brito e as demais pessoas acusadas de participar das fraudes. A investigação começou em abril de 2017. Com autorização judicial, foram levantadas mensagens, interceptações telefônicas e filmagens de entrega de dinheiro.

Brito é acusado de atuar para dirigir licitações voltadas à contratação de empresas prestadoras de serviços de saúde ao Hospital Municipal de Foz. Conforme a procuradoria, ele receberia vantagens ilegais de 10% do valor dos contratos celebrados de forma irregular. O dinheiro seria usado em sua campanha a deputado federal. A defesa do Dr. Brito nega as acusações.