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Dr. Brito será transferido para prisão estadual; Câmara recebe pedido de cassação

Dr. Brito será transferido para prisão estadual; Câmara recebe pedido de cassação
Vereador deverá ser transferido na próxima semana, diz Polícia Federal - Foto: Marcos Labanca

H2FOZ - Paulo Bogler

O vereador Dr. Brito, preso desde terça-feira, 16, durante a oitava fase da Operação Pecúlio, será transferido da delegacia da PF (Polícia Federal) em Foz do Iguaçu para uma unidade prisional estadual localizada no município. A transferência está prevista para acontecer na próxima semana, ainda sem data e horário definidos.

Nesta quinta-feira, 18, a Câmara de Vereadores recebeu pedido de cassação do mandato do Dr. Brito, requerida por um morador de Foz. A assessoria da Casa de Leis informou que o pedido está sendo analisado pelo setor jurídico e o parecer deverá ser votado na primeira sessão legislativa, em fevereiro. Se for aprovado, passará para a análise do Conselho de Ética, formado pelos vereadores.


Cassação do mandato do Dr. Brito é analisada pelo jurídico do legislativo - foto Divulgação 

Autor do pedido de cassação do mandato do Dr. Brito, Marcelo Angeli afirma que a Câmara de Vereadores foi marcada negativamente ao ser local de cumprimento de mandado de busca e apreensão “com o intuito de encontrar provas dos supostos atos ilícitos” do parlamentar. O bacharel em direito baseia seu pedido na Constituição Federal, na Lei Orgânica do Município e no Regimento Interno do Legislativo.

“O julgamento [referente à investigação] ocorre na esfera criminal, o pedido de cassação é um julgamento político”, afirmou Marcelo Angeli ao H2FOZ. “Igual aos demais vereadores que já foram cassados aqui em Foz e também aguardam condenação jurídica, mas já tiveram seu julgamento político. Um [processo de julgamento] não interfere no outo”, disse.

Investigações

De acordo com a PF e o MPF (Ministério Público Federal), Dr. Brito é acusado de comandar fraudes em licitações na saúde pública no município e seria beneficiado com o recebimento de recursos ilegais. Ele e seu assessor pessoal, José dos Reis Neto, o Cazuza, foram presos com mais quatro pessoas. Na quarta-feira, 17, a Justiça concedeu liberdade a três investigadas. As defesas negam todas as acusações.


Dr. Brito foi preso na oitava fase da Operação Pecúlio - foto Divulgação 

Conforme a Polícia Federal e a Procuradoria da República, mensagens por aplicativos de celular entre os acusados vinham sendo monitoradas desde abril de 2017 e foram os principais elementos utilizados nas investigações. Neste período, um colaborador, integrante de empresa da área de saúde, revelou a procuradores que teria sido convidado por Dr. Brito para praticar as irregularidades.

Ainda segundo a polícia e o MPF, o vereador usava seu mandato parlamentar para influenciar o resultado de concorrências públicas relacionadas a serviços prestados ao Hospital Municipal, obtendo 10% do valor dos contratos. Os recursos seriam aplicados em sua campanha a deputado federal. Cazuza, de acordo com os investigadores, seria o “mentor intelectual” das eventuais fraudes. A defesa de Dr. Brito e de Cazuza afirma desconhecer as informações.