Crise diplomática: Paraguai formaliza pedido de explicações por espionagem

Operação contra alvos do governo do Paraguai teria sido autorizada pelo Brasil em junho de 2022, na gestão do então presidente Jair Bolsonaro.

O governo do Paraguai formalizou ao Brasil, nessa terça-feira (1.º), pedido de explicações sobre a denúncia de espionagem revelada, no dia anterior, pelo portal UOL.

Leia também:
Paraguai convoca embaixador e suspende negociações com o Brasil sobre Itaipu

Na segunda-feira (31), o UOL publicou matéria indicando que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria monitorado alvos oficiais no país vizinho.

Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores confirmou a situação, indicando que o acompanhamento teria começado em junho de 2022.

Na ocasião, Jair Bolsonaro presidia o Brasil, e Mario Abdo Benítez comandava o Paraguai. Atualmente, Luiz Inácio Lula da Silva (no cargo desde 1.º de janeiro de 2023) e Santiago Peña (desde 15 de agosto de 2023) presidem os respectivos governos.

De acordo com o comunicado do Itamaraty, a operação foi “tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”.

“O governo do presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo”, complementa o texto.

Conforme o UOL, que teve acesso ao depoimento de um agente de segurança, o interesse central girava em torno de obter informações sobre Itaipu.

Brasil e Paraguai negociam, desde 2022, a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. O anexo define as bases financeiras para o funcionamento da hidrelétrica do Rio Paraná, pertencente aos dois países.

Paraguai pede explicações

O embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes, compareceu, nessa terça-feira, a uma reunião com o vice-ministro Víctor Verdún. O “número 2” da pasta de Relações Exteriores do Paraguai entregou a Marcondes um pedido oficial de explicações.

Em paralelo, tal como noticiado pelo H2FOZ, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano chamou para consultas o embaixador do Paraguai em Brasília, Juan Ángel Delgadillo.

A reação do Paraguai à denúncia de espionagem inclui a abertura de uma investigação interna e a suspensão das conversações com o Brasil sobre o Anexo C.

Em declarações à mídia local, membros do atual gabinete paraguaio disseram ter tomado conhecimento da denúncia pela imprensa brasileira. Conforme as versões, o governo do então presidente Mario Abdo Benítez não teria produzido relatórios sobre o caso.

LEIA TAMBÉM
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.