
O governo do Paraguai formalizou ao Brasil, nessa terça-feira (1.º), pedido de explicações sobre a denúncia de espionagem revelada, no dia anterior, pelo portal UOL.
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Na segunda-feira (31), o UOL publicou matéria indicando que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria monitorado alvos oficiais no país vizinho.
Posteriormente, o Ministério das Relações Exteriores confirmou a situação, indicando que o acompanhamento teria começado em junho de 2022.
Na ocasião, Jair Bolsonaro presidia o Brasil, e Mario Abdo Benítez comandava o Paraguai. Atualmente, Luiz Inácio Lula da Silva (no cargo desde 1.º de janeiro de 2023) e Santiago Peña (desde 15 de agosto de 2023) presidem os respectivos governos.
De acordo com o comunicado do Itamaraty, a operação foi “tornada sem efeito pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato”.
“O governo do presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo”, complementa o texto.
Conforme o UOL, que teve acesso ao depoimento de um agente de segurança, o interesse central girava em torno de obter informações sobre Itaipu.
Brasil e Paraguai negociam, desde 2022, a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. O anexo define as bases financeiras para o funcionamento da hidrelétrica do Rio Paraná, pertencente aos dois países.
Paraguai pede explicações
O embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes, compareceu, nessa terça-feira, a uma reunião com o vice-ministro Víctor Verdún. O “número 2” da pasta de Relações Exteriores do Paraguai entregou a Marcondes um pedido oficial de explicações.
Em paralelo, tal como noticiado pelo H2FOZ, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano chamou para consultas o embaixador do Paraguai em Brasília, Juan Ángel Delgadillo.
A reação do Paraguai à denúncia de espionagem inclui a abertura de uma investigação interna e a suspensão das conversações com o Brasil sobre o Anexo C.
Em declarações à mídia local, membros do atual gabinete paraguaio disseram ter tomado conhecimento da denúncia pela imprensa brasileira. Conforme as versões, o governo do então presidente Mario Abdo Benítez não teria produzido relatórios sobre o caso.