
Aida Franco de Lima – OPINIÃO
Quem foi criança nos anos 1980 e 1990 se lembra muito bem dos super-heróis dos desenhos nas TVs e gibis. No domingo de manhã, passava o desenho em que os heróis se reuniam na Sala da Justiça para, juntos, defenderem o planeta das malvadezas dos piores vilões imaginados. Os personagens eram nascidos nos EUA, e a sede ficava em Washington. Por mais graves que fossem os problemas, o final era sempre feliz.
As crianças viraram eleitores e parecem ser as mesmas que reelegeram Trump, vendo nele a personificação dos heróis do passado. E na Casa Branca, a casa oficial dos presidentes americanos, o mesmo poder emanado pela Sala da Justiça. E mais que seus eleitores, Trump acredita ser o herói americano, que vai salvar os EUA dos vilões mundiais.
Ao anunciar a imposição de tarifas adicionais a humanos e pinguins, Trump mostrou o seu poder. Deflagrou um estresse mundial e transformou as tarifas alfandegárias em armas de guerra.
Antigamente, antes de a internet dar voz a uma legião de imbecis, como afirmou Umberto Eco, tínhamos a visão de que os governantes deveriam ser minimamente líderes equilibrados, que tratassem os aliados com respeito e os inimigos, no mínimo, com coerência.
Hoje, o que percebemos é que quanto mais transloucado um líder político, quanto mais absurdo e bélico é seu discurso, mais amplia sua base eleitoral. E Trump é um exemplo.
Suas aparições são em busca de holofotes. Seu poder econômico pessoal não é suficiente. Ele precisa mesmo sentir que o mundo está ajoelhado a seus pés.
Assistindo a entrevistas de economistas das mais diversas correntes ideológicas, eles falam de uma nova ordem global, com novos rearranjos, e que as consequências negativas, diferentemente do que prega Trump, recairão também sobre os EUA.
Trump batizou a última quarta-feira, 2, como o “Dia da Libertação”. Mas a previsão de especialistas é de que a metralhadora giratória provocará inflação, redução do crescimento e aumento da taxa de desemprego não somente nos países-alvos, mas também nos EUA. Um tiro pela culatra dado pelo herói das urnas. Contudo, ele, seus familiares e suas próximas gerações estão muito bem protegidos. Mesmo quem não pagou para ver já arca com as consequências.
E ninguém pode dizer que se tratou de estelionato eleitoral. Trump apenas está colocando em prática os seus planos: tratando os EUA como uma de suas empresas e o resto do mundo como um almoxarifado.
Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.
Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail portal@h2foz.com.br.