
Nessa quarta-feira (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou seu pacote de tarifas sobre mercadorias produzidas fora do país.
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Conforme a tabela divulgada pela Casa Branca, Brasil, Paraguai e Argentina estão entre os países taxados com alíquota geral de 10%. As maiores tarifas, de até 49%, serão impostas a países da Ásia. Já a União Europeia pagará taxa mínima de 20%.
No Paraguai, a notícia de que o país está no grupo com as menores alíquotas do “tarifaço” de Trump trouxe certo alívio para os exportadores.
De acordo com o Banco Central do Paraguai, nos dois primeiros meses do ano, o país exportou US$ 72,1 milhões para os Estados Unidos. Desse valor, cerca de 50% correspondem às vendas de carne bovina desossada pelos frigoríficos locais.
Em declarações ao jornal Última Hora, o presidente da Câmara Paraguaia de Carnes (CPC), Daniel Burt, avaliou que o anúncio de Trump trará impactos.
“Vai afetar todo o comércio internacional, e a carne não está isenta disso. Lamentamos que, depois de apenas um ano de conseguir exportar carne para os Estados Unidos, já estamos encontrando esse desafio”, afirmou.
Por outro lado, Burt ponderou que outros exportadores de carne, como o Brasil e a Argentina, também enfrentarão a mesma taxação anunciada por Trump.
Assim, será preciso avaliar o cenário com calma, pois a imposição de diferentes alíquotas, para diferentes países, poderá embaralhar o mercado de fornecedores.
Argentina e as tarifas de Trump
Na Argentina, que também terá suas exportações taxadas em no mínimo 10%, uma das principais preocupações cai sobre o mercado de autopeças.
De maio em diante, conforme decreto assinado por Donald Trump, peças de veículos terão de pagar 25% para entrar nos Estados Unidos.
Já na província fronteiriça de Misiones, pouco industrializada, o jornal El Territorio cita outros desafios. De acordo com o periódico, as exportações de madeira e chá para os Estados Unidos estão entre as mais importantes para os produtores locais.
“O aumento de custos poderá dificultar a competitividade desses produtos no mercado dos Estados Unidos, obrigando os exportadores a mudar estratégias ou buscar novos destinos”, pondera o jornal.
Para Donald Trump, o anúncio de tarifas às compras do exterior entrará para a história como algo positivo, o “Dia da Libertação”. Tal visão é contestada por economistas, os quais indicam que a taxação externa poderá isolar e enfraquecer a economia do país.