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Discurso turístico e a imagem de Foz do Iguaçu e região: limitações

Discurso turístico e a imagem de Foz do Iguaçu e região: limitações

(*) Daniela Martello e Débora Cota

O setor turístico é um dos mais importantes ramos de atividade de nossa região. Sua dinâmica, no entanto, ao focalizar reiteradamente, através da publicidade e da propaganda, os atrativos de cada cidade, consolida um imaginário limitado sobre Foz do Iguaçu (BR), Puerto Iguazú (ARG) e Ciudad del Este (PY) e reforça a fragmentação de uma região unida por vários aspectos socioculturais.

Para comprovar a disseminação de uma imagem fragmentada e limitada da tríplice fronteira realizou-se um estudo da publicidade e da propaganda turísticas veiculadas por empresas privadas e instituições públicas específicas. No âmbito privado, foram consideradas duas agencias turísticas reconhecidas, uma de alcance regional e outra nacional. No âmbito público, analisou-se folders fornecidos em Pontos de Informações Turísticas que são desmembramentos da Prefeitura Municipal, em Foz do Iguaçu e uma campanha de âmbito nacional promovida pelo Ministério do Turismo, a #PartiuBrasil. Foram analisadas as referências discursivas a Foz do Iguaçu e à tríplice fronteira nos materiais de divulgação destas instâncias.

A imagem de Ciudad del Este (PY) como um local exclusivo para compras, um “paraíso fiscal”, imagem amplamente estereotipada; de Puerto Iguazú (ARG) como um lugar para jantares e degustações variadas; e de Foz do Iguaçu (BR) como “Terra das Cataratas” e Itaipu Binacional é constantemente reforçada pelo discurso de cunho comercial do ramo turístico tanto nos meios privados como nos meios públicos de divulgação estudados.

O imaginário é construído pela reiteração do discurso, seja ele texto ou imagens. A insistência, por exemplo, na relação entre Foz do Iguaçu e Cataratas é tão forte que não é raro ver a expressão “Terra das cataratas” substituir o nome da cidade.

Por outro lado, os Pontos de Informações Turísticas mantidos pela Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu não priorizam informações mais completas da cidade e da região. Caracterizam-se como pontos de divulgação de serviços, reforçando os aspectos comerciais e os atrativos e desviando-se de uma publicidade informativa. Neles não se encontram materiais de divulgação próprios e são fornecidos apenas propagandas de negócios privados.

A hegemonia de uma imagem fragmentada e reduzida a atrativos turísticos produz, consequentemente, um apagamento de toda uma diversidade cultural pertencente à região. Onde ficam as 42 etnias presentes apenas na cidade de Foz do Iguaçu? Cadê a cultura guarani, a mais originária de toda a região? E o agronegócio, outro elemento transnacional e característico do lugar?

Garantir o acesso, de quem visita, à complexidade sociocultural da região é chamar a atenção para o reducionismo do discurso turístico.

(*) Este artigo é resultante do Trabalho de Conclusão do curso de Daniela Martello, pelo curso de Letras – Artes e Mediação Cultural da UNILA 2015. Orientada pela professora doutora Débora Cota.