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Baleia azul: o que sabemos e o que não gostaríamos de saber, mas precisamos.

Baleia azul: o que sabemos e o que não gostaríamos de saber, mas precisamos.
- Foto: Divulgação

José Elias Castro Gomes

Você deixaria seu filho sair de madrugada para passear no centro da cidade? Ou iria com ele ao cinema sem saber que filme será exibido? Ou o deixaria na companhia de pessoas que nunca viu na vida? Muitos pais estão permitindo que seus filhos se exponham a riscos equivalentes a estes. Quando uma criança ou adolescente entra na web sem o devido monitoramento dos pais, está se lançando em um oceano de informações de todo tipo, de agentes de influência dos mais diversos e de formas de afetar a própria vida de maneira avassaladora. E, para quem considera a afirmativa um tanto sensacionalista, um fenômeno que emergiu recentemente deste oceano de dados não deixa dúvidas da seriedade da situação: a baleia azul.


Podemos especular aqui sobre as motivações que geraram essa aberração em forma de “jogo”: é o fruto de uma sociedade adoentada e acostumada com a banalidade da violência ou um caso extremo de nerds sádicos aliciando gente inocente para uma aventura auto-destrutiva? Neste momento, essas conjecturas devem ficar em segundo plano, pois o urgente é entendermos que, infelizmente, a baleia azul não é uma mera lenda da web. Há casos registrados na Rússia há cerca de dois anos que apontam sérios indícios de suicídios de adolescentes motivados pelo jogo (a fonte é o jornal Nova Gazeta). Em países como Inglaterra, França e Romênia, as escolas têm alertado os pais e pedindo para que fiquem atentos a cortes, queimaduras e sinais de mutilação em seus filhos. E, como na Internet tudo acontece de forma quase instantânea, já temos casos registrados em Curitiba que fizeram o prefeito Rafael Greca postar um vídeo conclamando a comunidade a ficar extremamente atenta.

Não, nós não gostaríamos que fosse real a possibilidade de nossos filhos carregarem nos smartphones e PCs um bilhete para uma jornada dilacerante e sem volta. Mas a ameaça existe. Outro fato que não gostaríamos que fosse verdade é que, se não formos os guardiões de nossos filhos e alunos no acesso a esses conteúdos perniciosos, nós seremos corresponsáveis por tudo de errado que possa acontecer com eles. Claro que é difícil monitorar constantemente crianças e adolescentes ávidos por novidades e relacionamentos nas redes sociais, principalmente com a facilidade de meios existentes, mas é necessário.

Também não podemos usar como desculpa o fato de não querermos invadir a privacidade de crianças e adolescentes. Não se trata de mera bisbilhotice. Se não permitimos que crianças acessem conteúdo adulto na TV, é incoerente que o deixemos navegar em sites impróprios; se não as deixamos conversar com estranhos nas ruas, é contraditório que os liberemos para bater papo com gente desconhecida num chat. Simples assim? Sim, simples assim.

A modernidade não pode funcionar como álibi para o relaxamento na educação e tutoria de nossos filhos. É o que nossa escola prega há anos, por isso nos esforçamos tanto em modernizar nosso ensino sem deixar de ter os dois pés bem firmes em uma proposta humanizada.

Não queremos ser alarmistas, mas não podemos nos omitir neste momento. A baleia azul é apenas um dos inúmeros riscos da web. A Internet é uma ferramenta maravilhosa, mas seu lado perverso é muito mais assustador do que muitos supõem. A deep web (área não indexada pelos mecanismos de busca padrão e pela qual ocorre tráfico de drogas, armas e até seres humanos) é extremamente maior que a surface web. Por isso, vale muito esta última recomendação: deixe o PC em local acessível a todos na casa e instale programas de monitoramento e restrição de conteúdos.

Acima de tudo, a solução não é digital, é analógica e preventiva: seja participativo na vida de seu filho. Converse, brinque, ouça, estimule, interaja. Caso contrário, alguém o fará por você. E esse alguém pode vir camuflado com o pseudônimo de um inocente mamífero marinho.


José Elias Castro Gomes
Mantenedor COC Foz do Iguaçu