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Crônica: Foz do Iguaçu em dia de frio

O rio é encoberto pelo véu branco, úmido, anúncio de que a nova estação pede passagem.
O Paranazão esconde-se sob o céu turvo. Assim como o rio, as fronteiras inventadas pelo homem também desaparecem, momento de breve utopia, onde as pontes de ligação não são feitas de concreto e aço.
O cachorro procura, em vão, o melhor amigo. Ele não virá. Não a esta hora da manhã.
Nas ruas da cidade, o vento congelante desautoriza a medida do termômetro, estacionado em um só grau. A sensação térmica, humana, reclama. Faz muito mais frio.
Nas ruas da cidade, os passos seguem ligeiros, apressados, como quem conduz a visita indesejada até a porta de saída.
Em poucas horas, o sol virá cheio de luz e calor, desfazendo a nebulosidade. Desfazer-se para fazer-se novamente e seguir o ciclo.
O ciclo do frio, da dança das estações, da vida que flui.
Texto: Paulo Bogler
Fotos: Marcos Labanca