17/12/2009 13h34
Uma data histórica para Foz: Senado aprova criação da Unila
A notícia vem de Brasília: o Senado acabara de aprovar a criação da Unila, escreve Paulino Motter. * Paulino Motter
16 de dezembro de 2009. Fim de tarde quente e ensolarado na região trinacional. A aguardada notícia vem de Brasília: o plenário do Senado Federal acabara de aprovar, por unanimidade, o projeto de lei que cria a Universidade Federal da Integração Latino-Americana - Unila. Estava encerrada uma saga que já durava cerca de dois anos. De fato, o projeto de criação da Unila fora oficialmente anunciado em 12 de dezembro de 2007.
Direto de Brasília, onde acompanhou e participou ativamente dos momentos decisivos, o presidente da Comissão de Implantação da Unila, professor Hélgio Trindade (foto), disparou o seguinte comunicado para os demais membros da Comissão:
“Acabo de ter a grande emoção de assistir, ao vivo e a cores, da tribuna do Senado, a aprovação da Unila, por unanimidade, no plenário do Senado. O apoio foi total de todos os partidos e senadores, sem exceção. Pude entrar no hemiciclo e agradecer o apoio incondicional dos senadores por este resultado quase inesperado num final de ano legislativo. Encerra-se, assim, o ciclo de tramitação de dois anos pelo Congresso Nacional e agora falta apenas a sanção presidencial”.
Calejado nas lides acadêmicas, o futuro reitor da Unila teve a real dimensão do momento histórico do qual acabara de participar e não escondeu sua emoção:
“Compartilho com todos os frutos generosos deste presente natalino, cuja construção foi coletiva e solidária com a participação de todos vocês, mas com o apoio insubstituível da UFPR, da Itaipu Binacional e do PTI”.
Sob a mais do que justificável euforia com a decisão do Senado, Hélgio Trindade fez questão de apontar os desafios que virão pela frente:
“Agora iniciaremos, em 2010, uma nova etapa com responsabilidades e exigências crescentes e vamos precisar do apoio de todos os que já estão engajados e irão se incorporar na nova universidade, que deixou de ser uma ficção legal e tornou-se uma realidade institucional de porte latino-americano”.
É difícil exagerar a importância desta conquistada para Foz do Iguaçu e toda região. É bem mais fácil subestimá-la, o que seria absolutamente lamentável. A Unila é, indiscutivelmente, a maior conquista desta cidade. É nestes termos que devemos saudar a aprovação final do projeto que dispõe sobre a criação da Universidade Federal da Integração Latino-Americana e define o município de Foz do Iguaçu como sua sede.
É interessante notar que, à véspera, o Senado Federal havia aprovado, numa votação bastante apertada (35 a 27), a entrada da Venezuela no Mercosul. A proposta, que levou quase três anos para ser votada, foi cercada de polêmica. Cenário bem diferente daquele no qual se deu a aprovação do projeto da Unila. O que há em comum entre as duas decisões soberanas do Senado?
Uma clara afirmação da vontade política do país de fazer avançar a agenda da integração regional. Afinal, esta é a missão institucional que distingue a Unila entre todas as universidades federais. A Unila já é um fruto da opção do Brasil por integrar-se com toda a América Latina, rompendo barreiras históricas e a cegueira do passado, quando as elites tinham os olhos mais voltados para a Europa e os Estados Unidos do que para nossos vizinhos.
Nós, de Itaipu, temos dois motivos especiais para saborear a aprovação do projeto que cria a Unila: em primeiro lugar, temos o orgulho de fazer parte – no meu caso, temporariamente – de uma entidade binacional, precursora do processo de integração regional; em segundo lugar, podemos reivindicar, sem nenhuma presunção, certa paternidade em relação à Unila.
Alguém já disse que a Itaipu tem o DNA do Mercosul. Acho que também temos o mesmo DNA da Unila. As autoridades de Brasília são unânimes em reconhecer o papel fundamental desempenhado pela Itaipu na construção do projeto da Unila.
No dia 5 de novembro passado, durante singela cerimônia na qual o presidente em exercício, José Alencar, sancionou o projeto de lei que criou a Universidade Federal do Oeste do Pará, o ministro da Educação, Fernando Haddad, fez um agradecimento público ao diretor-geral Brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, presente no ato, pelo apoio dado à Unila. O vice-presidente endossou as palavras do ministro da Educação, e acrescentou que a Itaipu vem realizando um “trabalho extraordinário” na região.
Filho da terra, Samek sabe muito bem o que esta Universidade significa para a cidade. Afinal, na década de 70, quando não havia nenhuma instituição pública de ensino superior em Foz do Iguaçu, ele teve que rumar para a capital do Estado para frequentar a universidade. Com a chegada da Unila, Foz do Iguaçu tem tudo para se transformar num dos principais polos de educação superior, pesquisa e desenvolvimento tecnológico do país.
Todos os diretores da Itaipu, sem exceção, abraçaram o projeto da Unila e não mediram esforços para apoiá-lo. Todas as áreas se envolveram com entusiasmo na construção do projeto. O PTI, por sua vez, escancarou suas portas para receber a Unila, mobilizando todas as suas competências para apoiar sua implantação.
Temos mais é que comemorar esta conquista extraordinária. A Unila é nossa!
* Paulino Motter é assistente do diretor-geral brasileiro e integrante da Comissão de Implantação da Unila.
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