O governo brasileiro reagiu nesta terça-feira, 17, à aprovação de uma moção dos deputados dos Estados Unidos pela criação de uma força-tarefa antiterror no hemisfério ocidental, especialmente na Tríplice Fronteira: Brasil, Argentina e Paraguai. O projeto ainda depende de aprovação do senado norte-americano, mas já gerou repercussão da diplomacia brasileira.
O Ministério das Relações Exteriores informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não existem indícios de terrorismo na região. De acordo com o Itamaraty, em dezembro do ano passado, Brasil, Argentina e Paraguai se reuniram com os Estados Unidos e produziram comunicado conjunto afirmando que não foram detectadas atividades ligadas ao terror.
Para historiador, objetivo dos Estados Unidos é ocupar manancial de água
A suposta existência de práticas terroristas na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) é um pretexto utilizado pelos Estados Unidos para fazer valer os seus interesses na região, avalia o historiador e cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, autor do livro As Relações Perigosas: Brasil-Estados Unidos, lançado em 2004.
"O Brasil cansa de pedir provas, mas nada. Tudo indica que é um pretexto para ocupar o Aqüífero Guarani", diz Moniz Bandeira, referindo-se àquele que é considerado o maior manancial de água doce subterrânea do mundo, com área de 1,2 milhão de quilômetros quadrados - dois terços em território brasileiro.
Hoje (17), o governo brasileiro reagiu à aprovação de uma moção dos deputados norte-americanos pela criação de uma força-tarefa antiterror no hemisfério ocidental, especialmente na Tríplice Fronteira. Para o Itamaraty, não existem indícios de terrorismo na região. O projeto ainda depende de aprovação do senado dos Estados Unidos.
Moniz Bandeira diz que a posição dos Estados em relação ao assunto é paradoxal. E cita um relatório do Departamento de Estado, publicado em seu livro de 2004, que nega a existência de terrorismo na Tríplice Fronteira. "Eles dizem que há lavagem de dinheiro, tráfico de influência, mas terrorismo não", diz o professor.
Moniz Bandeira não acredita que esta inflexão antiterrorista sugerida por alguns setores da sociedade norte-americana para a América do Sul tenha sido impulsionada pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. "Começou no governo [Ronald] Reagan. Na medida em que a Guerra Fria foi se esvaziando, eles começaram a alimentar novas tarefas. Os Estados Unidos não vivem sem a guerra".
(Agência Brasil)
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