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25/05/2012

Dia do Orgulho Nerd hoje é...

H2FOZ - Letícia Lichacovski

Para quem realmente é nerd, já se identificou pelo título. Seria dessa forma que o grande mestre Yoda, do Star Wars, anunciaria o Dia do Orgulho nerd, comemorado nesta sexta-feira, 25.

Acabou aquela história de que nerd (hoje chamado de Geek, apesar de não ser exatamente a mesma coisa. Geek é mais voltado à tecnologia) é só aquele cara que fica na frente do computador falando em códigos binários. Hoje, eles levantam bandeira e conseguiram se infiltrar até no mundo fashion.

Mas nem sempre isso foi assim. Há alguns anos, eles eram excluídos e, principalmente nas escolas, eram vistos como os “esquisitos”. Isso mudou, mas por que? O que trouxe os nerds do “nada” ao “Dia do Orgulho”?

Ficamos curiosos e resolvemos conversar com um internauta que se encaixa nesse perfil. O bibliotecário Fernando Correia*, de Foz do Iguaçu.


 


H2FOZ - Para você, o que é ser nerd?
@FerCorreia - O Nerd de hoje é o CDF de ontem, são pessoas que de certa forma não se encaixam nos padrões comuns, adoram estudar, conhecer assuntos diferentes, fuçar em aparelhos para ver como funcionam, jogar video-games, ficar no computador, ler quadrinhos, assistir filmes, devorar livros, jogar RPG... Enfim, preferem as coisas mais ligadas à mente que ao corpo geralmente, incluindo as atividades de entretenimento, trocam facilmente uma balada por uma maratona de Star Wars.
Ser Nerd é discutir seriamente sobre assuntos como: quais seriam os planos de evacuação de uma cidade no caso de invasão alien ou infestação zumbi; as diferenças de Senhor dos Anéis e O Hobbit; a revolta coletiva sobre Jar Jar Binks e a nova trilogia de Star Wars, os paradoxos da viagem no tempo e tantos outros assuntos.
O termo NERD hoje é usado para juntar várias tribos sob a mesma bandeira, como os GEEKs (viciados em tecnologia) que são chamados de Nerds de computador, ou os viciados em cultura pop japonesa, os Otakus, que frequentemente são chamados somente de Nerds. E faço minhas as palavras do Marcel do BQEG.

H2FOZ - Ser nerd está na moda hoje? Isso é bom ou ruim?
@FerCorreia - Um pouco de ambos. O lado bom é termos mais e mais material produzido pensando nos Nerds e feitos às vezes pelos próprios. O ruim é que muito deste material carece da profundidade que outrora existia, como os livros de Asimov, que fazem parte da cultura dessa galera, hoje em dia muitos dos materiais ditos NERDs apenas emprestam o rótulo, sem entregar uma real experiência.

H2FOZ - Como foi a evolução do nerd da sociedade?
@FerCorreia - O NERD começou sendo xingado e apanhando na escola, por ser o esquisito da turma, ele não se encaixava; depois de alguns grandes NERDs terem saído enfim de seus quartos, criando a Microsoft, Apple, Facebook, e outros grandes nomes atuais, ficou um pouco mais fácil ser NERD. Hoje somos chamados pelas pessoas para consertar seu PCs, rootear seus smartphones, criar um site, melhorar seus blogs, etc. Antes o NERD existia apenas no background da sociedade, nos laboratórios, empresas e bibliotecas, hoje estão inseridos no cotidiano de todas as pessoas, não há mais como viver sem um deles por perto.

H2FOZ - Para chegar ao Dia do Orgulho Nerd, muita coisa teve que mudar... O que antes era o excluído, hoje tem um dia, sendo que mauricinhos e patricinhas não têm. O que mudou?
@FerCorreia - A sociedade mudou, hoje precisamos de pessoas que entendam de tudo, que saibam resolver problemas cada vez mais tecnológicos e que pensem à frente.
Os grandes Nerds da humanidade eram,acima de tudo visionários, pessoas como Julio Verne, Asimov, Arthur Clarke, George Lucas e Tesla mudaram o mundo com suas ideias malucas, que eram vistas às vezes como fábulas e que se tornaram realidade hoje.

H2FOZ - Você tem orgulho de ser nerd? Por quê?

@FerCorreia - Antes eu não me achava um Nerd, não gostava de ser chamado assim, talvez pelo efeito do bullying quando menor, mas o Nerdismo me trouxe onde estou hoje. Não sou milionário, mas já tenho uma vida boa graças às minhas nerdices, por exemplo, depois do colégio nunca entrei em uma aula de inglês, mas na última prova de nivelamento que fiz, fui aprovado como fluente, tudo isso graças aos jogos, séries de TV legendadas ou sem legendas às vezes, livros de RPG importados e muita curiosidade.

Ser bibliotecário é ser um NERD profissional, não há como esconder, e hoje eu tenho orgulho em ser quem sou.

*Fernando é coordenador da Biblioteca Paulo Freire do Parque Tecnológico Itaipu, bacharel em biblioteconomia pela Universidade Estadual de Londrina.

SAIBA MAIS: Stefane de Almeida fala mais sobre a cultura nerd e encontros que vão rolar na fronteira (entrevista em áudio com direito à marcha do Darth Vader)
___________________
Letícia Lichacovski
@leca_dpaula

E que a força esteja com você...

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